quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Filme #37 - quarta-feira - 11/01/12

Zardoz e o estranho mundo de Vortex (Zardoz, 1974)


Baixei aqui.

Peguei uma sequência de filmes de um dos meus atores favoritos para assistir nos próximos dias, e comecei com Zardoz. A única referência que eu tinha sobre a obra era aquela imagem de Sean Connery vestido com o figurino do filme com a legenda "Mesmo usando fralda, ele é mais homem do que você" (procurei pra caramba, mas não achei pra linkar aqui...). Mais nada. Não sabia uma linha sobre a história, sequer sabia o gênero, e posso garantir que tive uma agradável surpresa.
Não se deixe repelir pela tosqueira das roupas e dos efeitos especiais: Zardoz é uma ficção científica de primeira linha, com direito a reflexões filosóficas e possibilidades múltiplas de análise. Não vou me aprofundar na história, mas posso dizer que o filme joga uma luz diferente sobre o tema utopia/distopia. Do tempo que uma boa ideia era mais importante para o Sci-Fi do que efeitos especiais de última geração.

Maratona #1

Sean Connery


terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Filme #36 - Terça-Feira - 10/01/12

Cowboys & Aliens (2011)


Baixei aqui.

Ao contrário do que pode enganar, esse não filme tem vaqueiros, mas não é um western. Tem alienígenas, mas não é ficção científica. Poderíamos enquadrá-lo no gênero Aventura. E de um filme de aventura, espero uma trama envolvente, ágil, que me faça pular na cadeira e querer saber como a história vai acabar. E, apesar de ser muito bem feitinho, Cowboys & Aliens não tem nada disso. O filme se arrasta por suas longas e desnecessárias duas horas. Não é um filme para odiar. Não chega a tanto. É um filme que será simplesmente esquecido. Vai passar umas duas vezes na Tela Quente, uma ou duas no Temperatura Máxima e depois nunca mais teremos notícias dele. Melhor assim.
O filme é uma adaptação MUITO livre de uma HQ que já é bem fraca (se quiser conferir, tem AQUI pra baixar). Quem não leu e não assistiu não está perdendo nada.

Filme #35 - Terça-Feira - 10/01/2012

Gigantes de aço (Real Steel, 2011)



Baixei aqui.

"Um misto de 'Rocky' e 'Falcão' saído do inferno, e a pior homenagem já feita ao Stallone." Assim Salimena definiu Gigantes de aço, e mesmo sabendo disso eu peguei esse filme para assistir. Na verdade, já tinha me interessado pelo filme quando saiu o trailler. Achei que seria um filme sobre batalhas de robôs gigantes, tipo One Must Fall 2097, um dos jogos que eu adorava lá pelos idos de 1995... No entanto, no filme os robôs não são gigantes, simplesmente substituíram os lutadores humanos simplesmente por uma questão politicamente correta, tipo aqueles filmes que colocam robôs no lugar dos capangas para não ter sua qualificação etária aumentada por mostrarem sangue.
Eu gosto do Hugh Jackman, mas esse papel não tem o menor carisma... Em momento algum eu consegui simpatizar com o picareta Charlie Kenton...
Um filme aborrecido, para ser esquecido. 

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Filme #34 - Segunda-feira - 09/01/12

5 days of war (ainda sem título em português, 2011)



Baixei aqui.

Quando entrei para a faculdade de jornalismo, me interessava o jornalismo esportivo, jornalismo cultural ou ser correspondente de guerra. Muito rápido saquei que a maioria dos meus colegas de profissão trabalhava cobrindo buracos nas ruas ou maracutaias de vereadores, e logo me desencantei com a carreira, que já não era a que eu mais queria (mas isso é uma outra história, talvez para outro dia). No entanto, o curso me deu uma visão crítica (cínica?) de várias coisas, inclusive sobre a cobertura das guerras. 
O filme abre com a famosa frase do senador americano Hiram W. Johnson: "Na guerra, a primeira vítima é a verdade". A citação de efeito - proferida em 1918 - pode impressionar muitos, mas eu perguntaria ao senador: qual verdade? Um dos mitos do jornalismo em todo mundo é a imparcialidade. Acontece que o jornalismo é feito por pessoas, e as pessoas, por natureza, não são imparciais. As pessoas, em qualquer disputa, tendem a tomar um partido. Experimente assistir a um jogo onde teoricamente você não tem interesse por nenhum dos dois lados: em pouco tempo você terá escolhido um dos times para torcer. Isso é do ser humano, a necessidade de se posicionar. Assim, quando um jornalista vai cobrir um fato, é natural que ele se posicione, motivado por fatores que nem sempre estão claros, nem mesmo para ele. No entanto, o cinema não tem nenhum compromisso de ser imparcial, honesto ou justo. E aí é que a coisa se complica. 
O cinema norte-americano é famoso por tomar partido do lado errado nas disputas. Basta lembrar de John Rambo - o exército de um homem só - expulsando os soviéticos e colocando o Talibã no poder do Afeganistão. Acredito que se Hollywood tivesse florescido mais cedo, teríamos ali por 1934 alguns filmes americanos louvando a reconstrução alemã pelo Partido Nacional Socialista.
5 days of war é um filme baseado em uma história real, sobre jornalistas que foram cobrir a Guerra da Geórgia, em 2008. É um filme sobre guerra, mas não é um filme de guerra. Co-produzido pela Georgia International Filmes, com apoio das forças armadas georgianas e do Banco da Geórgia, é fácil adivinhar de qual lado desse conflito a película estará. 
Aqui cabe uma breve digressão (meus alunos sabem que eu gosto de digressões...): Guerras acontecem desde o começo da humanidade, porém parece que cada vez menos as pessoas entendem as guerras. Existem convenções internacionais que estabelecem crimes de guerra, mas é muito claro que as punições só são aplicadas para aquele que comete o pior crime de todos - ser derrotado. Numa guerra, não existem vítimas inocentes: todos são culpados por pertencer ao povo inimigo. Ou podemos dizer de uma forma diferente: em uma guerra, todas as vítimas são inocentes, já que os soldados não decidem contra quem vão lutar e os donos das decisões quase nunca se tornam vítimas. Uma guerra é algo violento, sangrento, e - pasmem - as pessoas morrem. Civis e militares; homens e mulheres; adultos, velhos e crianças. É ingênuo achar que se faz guerra sem baixas inocentes. Baixas inocentes garantem a vitória em uma guerra. Ok, até aceito o discurso pacifista dos que são contra as guerras. Eu acho inútil (pra mim é como ser "contra a gripe", ela existe e sempre vai existir), mas ok. Agora, eu não aguento o grande número de SOLDADOS PROFISSIONAIS, principalmente norte-americanos, que vêm se levantando contra a guerra. Ora, soldados são treinados para guerrear, e como eu disse, na guerra não existe justiça. Assim sendo, quando se voluntariou para o exército (nos EUA não existe mais convocação há décadas), sabiam - ou ao menos deveriam saber - exatamente para o quê estavam se candidatando. Soldados contra a guerra ou são idiotas ou são hipócritas. (Fecha a digressão).
Como eu dizia, o filme é totalmente pró-Geórgia. E ele te faz tomar partido daquele país, sendo invadido, tão fraco, com um presidente "tão humanista" (interpretado por Andy Garcia)... Os depoimentos das "vítimas inocentes" ao final do filme convence e leva às lágrimas, e talvez tivesse me convencido... Se eu não estivesse lendo um livro de uma jornalista brasileira que esteve lá e conta os mesmos fatos de uma forma diferente (Com vista para o Kremlin, de Vivian Oswald... Vale citar alguns trechos das páginas 189 a 191:
"Logo após a ofensiva georgiana à Ossétia do Sul - que acabou por desencadear a desproporcional reação russa - todos os sites de domínio '.ru' foram tirados do ar na Geórgia. As informações a que se tinha acesso no país eram pró-Geórgia em sua maioria. Na mídia georgiana - majoritariamente favorável ao governo -, ninguém via os ataque das forças nacionais à Ossétia do Sul, nem a situação dos cidadãos russos que fugiram para a Ossétia do Norte. Só se via o revide.
(...)
De olho nos jornalistas estrangeiros, que não paravam de chegar ao país, o governo georgiano improvisou um comitê de imprensa no lobby do hotel, prestando informações em inglês sobre as alegadas atrocidades russas."  
Sobre o bondoso líder georgiano, a jornalista escreveu: 
"O estranho presidente Mikhail Saakashvili mantinha-se praticamente 24 horas no ar. Dava, pelo menos, uma entrevista por dia aos principais canais de televisão, além de longas exclusivas, muitas vezes em inglês. 
(...)
Ex-advogado em Manhattan e ex-aluno da Universidade de Columbia, Saakashvili mostrou dominar a arte de fazer marketing. Esse ex-cidadão soviético disse que a Geórgia tinha 'olhado o diabo nos olhos', ao referir-se à Rússia. Viciado em informação, lia todos os meios de comunicação, a ponto de citar, em minúcia, articulistas ou reportagens durante as entrevistas.
O filme mostra o discurso emocionado ao final da guerra, uma demonstração de força do georgiano. Vivian Oswald descreveu assim:
"No dia em que o acordo de cessar-fogo foi negociado entre a Rússia e a União Européia, Saakashvili surpreendeu a todos com a presença dos líderes da Polônia, Ucrânia, Lituânia, Letônia e Estônia em um imenso palco onde haveria um show de música popular. Tratava-se de uma provocação e tanto aos russos. Eram os chefes de Estado de antigas repúblicas soviéticas e um ex-satélite (a Polônia) com os quais a Rússia se mantinha às turras. Nesse dia, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que estava em Tbilisi, não apareceu. 
O palco estava no mesmo pátio no qual o governo georgiano montou, a céu aberto. o espaço para as coletivas de imprensa quase diárias. O cenário se compunha de um painel gigante com a imagem da fachada do prédio, então em reforma, margeado por bandeiras da Geórgia e, curiosamente, da União Européia. A Geórgia vivia a alegar que a bandeira era do Conselho da Europa, entidade mais antiga e relativamente menos importante da qual faz parte, que tem como símbolo o mesmo pavilhão azul com estrelas amarelas.
(...)
Após ser criticado e enquadrado por usar indevidamente a bandeira da UE como pano de fundo de suas entrevistas, passou a fazer suas aparições na televisão com um mapa da Geórgia em que apontava com uma batuta a posição das tropas russas."
A jornalista deixa claro:
"Boa parte dos conflitos entre Rússia e Geórgia foi travada não em campos de batalha, mas na mídia, Ameaças, acusações, guerra de informações e tentativas de manipulação da opinião pública marcaram a disputa dos dois lados. O mais importante era chamar a atenção da comunidade internacional para a verdade. E foram apresentadas várias versões dela."
A julgar pelo filme, a guerra ainda não terminou...

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Filme #33 - Sexta-Feira - 06/01/12

9º Pelotão (9 rota, 2005)



Baixei aqui.

Dei uma pausa nos filmes recentes para assistir esse que eu achei por indicação de uma lista dos melhores filmes russos de todos os tempos.  O enfrentamento entre soviéticos e afegãos é conhecida como o Vietnã dos Comunistas, uma guerra onde Davi vence o Golias usando seu terreno e táticas de guerrilha. Baseado em um episódio real, esse filme conta a história do ponto de vista dos soldados russos, sem questionar ideologias ou motivos (aliás, quando se conhece as razões da guerra a coisa fica ainda mais absurda. Para isso, recomendo alguns capítulos de A revolução de 1989 - A queda do Império Soviético). O único filme que eu me lembro de abordar essa guerra foi Rambo III, o pior da série, que sinceramente não conta... (Se ainda assim você quiser assistir, tem AQUI pra baixar).
 É interessante como nós já assistimos dezenas de filmes sobre as guerras travadas pelos EUA (principalmente o fronte ocidental da Segunda Guerra e a Guerra do Vietnã - agora que começam a surgir bons filmes sobre o Golfo, como o bom Soldado Anônimo - baixe aqui, e sobre a incursão americana no Afeganistão, com o também interessante Leões e Cordeiros - baixe aqui), mas quase nada sobre os outros conflitos importantes do século XX.
9º Pelotão recheado de drama e carnificina, como todo bom filme de guerra deve ser.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Filme #32 - Quinta-Feira - 05/01/12

O homem que mudou o jogo (Moneyball, 2011)



Baixei aqui.

Continuando a lista dos possíveis "papa-prêmios" de 2012. Esse filme tem um mérito inegável: contar uma história - com todos os detalhes - sobre o esporte mais chato do mundo, e ser interessante. Pior: o filme nem fala dos jogadores, mas sim das mudanças no sistema de contratação de jogadores - que passou de algo mais "instintivo" para um método científico que teria sido inventado por um segurança de fábrica. Enfim, é mais uma daquelas histórias de superação que somente o cinema americano traz para você.
O filme é interessante pois vejo o futebol brasileiro passando por um momento semelhante. Escrevo no A Corneta Diária tem 2 anos e meio, e acho que um dos personagens mais frequentes em meus textos - seja como protagonista ou coadjuvante - foi o ex-manager do Vasco Rodrigo Caetano, que pediu demissão recentemente. Uma frase comum de comentaristas esportivos sobre jogadores ruins é "fulano não está errado, errado é quem bota ele pra jogar", e o filme leva esse espírito ao máximo. 
O filme tem sido incensado pela atuação de Brad Pitt - que alguns garantem que dará o primeiro Oscar ao ator. Sinceramente, não achei isso tudo. Em alguns momentos, o tique do personagem cuspir davam-no trejeitos de Aldo Raine, o que dava um gosto de atuação requentada (gosto muito do Pitt, mas achei que ele estava melhor como Mickey O'Neil, Tyler Durden ou - principalmente - Chad Feldheimer. Gostei mais da atuação discreta de Jonah Hill, como o assistente tímido, e o premiaria por ela. 
Recomendo O homem que mudou o jogo nem tanto pela história, mas pela maneira como ela foi contada, com objetividade e sensibilidade.